Em vários momentos da minha trajetória, escutei frases que tentam desanimar qualquer profissional: “Você já passou da idade”, “O mercado quer gente mais nova”,
“Design é para jovens”. Para mim, esses comentários não falam sobre competência. Falam sobre preconceito etário. E, infelizmente, ele ainda existe no nosso mercado.
Mas a verdade é que bons designers não envelhecem, amadurecem.
Tenho mais de 50 anos e continuo atuando no mercado, aprendendo, criando e me reinventando. Ao longo do tempo, entendi que aquilo que muitos chamam de “idade” é, na realidade, experiência acumulada, visão estratégica e maturidade profissional.
Enquanto muitos ainda estão aprendendo a lidar com clientes, prazos, briefing mal feito e crises de marca, eu já atravessei mudanças de mercado, transições tecnológicas, tendências que vieram e foram, e continuo aqui.
O preconceito existe. A superação também.
Já perdi oportunidades por causa desse preconceito. Mas também descobri que ele pode ser um ponto de virada quando escolhemos nos posicionar de forma estratégica.
Algumas mudanças foram essenciais para que eu seguisse em frente e ocupasse meu espaço:
1. Atualizar sem apagar minha história
Aprender novas ferramentas nunca significou negar minha trajetória. Pelo contrário: quanto mais atualizo minha técnica, mais forte fica meu diferencial, minha identidade, meu estilo.
2. Me posicionar como especialista, não como iniciante
Experiência é autoridade. Hoje, não disputo projetos apenas por execução ou preço. Entrego estratégia, clareza e tomada de decisão, algo que só o tempo ensina.
3. Transformar vivência em conteúdo
Passei a compartilhar aprendizados reais, erros e acertos. O mercado está cheio de tutoriais, mas carente de experiência aplicada. E isso conecta.
4. Escolher clientes que valorizam maturidade
Entendi que nem todo cliente é para mim, e tudo bem. Empresários e marcas que buscam consistência, posicionamento e segurança tendem a valorizar profissionais experientes.
5. Me afastar de quem desanima e me aproximar de quem constrói
Opiniões baseadas em idade não definem minha capacidade. Meu trabalho define. Hoje escolho estar perto de quem entende que diversidade etária é força, não fraqueza.
Experiência não é peso. É diferencial.
Design não é só estética. É visão, estratégia, sensibilidade e decisão. E isso não se perde com o tempo, se refina.
Se você é designer com mais de 50 anos e já pensou em desistir, saiba:
o mercado não está fechado para nós.
Ele apenas exige clareza de posicionamento, atualização contínua e confiança na própria história.
Talento não tem idade.
Mas experiência… essa só o tempo entrega.

